27 de out de 2009

Arruda e IBRAM também "enrrolam" comunidade de Samambaia

Abaixo segue uma recente reportagem feita pelo Correio Braziliente e também transmitida recentemente (27/10/2009) pelo DFTV (Rede Globo). Mais abaixo, tem o relatóro de um seminário feito no referido parque, pelo atual governo há quase dois anos atrás em que o Governador e o Presidente do Ibram se comprometem a implantar o Parque. Porém hoje vemos a realidade, que é a total omissão do governo e órgãos de meio ambiente com relação aos parques do DF. Como sempre, prometem, fazem palestas e eventos com os moradores (no fundo com fins políticos), mas na prática, nada acontece. Até quando a população será ignorada e enganada?





Quem salvará o parque?

27/10/2009 - CORREIO BRAZILIENSE - DF - Caderno Cidades

Leilane Menezes

O Parque Três Meninas (localizado na cidade de Samambaia - Distrito Federal), reduto de lazer com 72 hectares instalado na cidade, há quase uma década espera por reformas. Moradores assistem à decadência local e se engajam em campanha de reconstrução


O parque Três Meninas, localizado na QR 609/611 de Samambaia, completou 16 anos ontem. Mas não há motivos para comemorar, segundo os moradores da região. O local espera por revitalização há quase 10 anos. A piscina vazia nunca funcionou e é símbolo do descaso com o espaço de 72 hectares. Há 12 casas antigas dentro do parque, todas decoradas com azulejos portugueses, que estão abandonadas e depredadas. O que era para ser um lugar de diversão e convívio com a natureza tornou-se o abrigo de muitos marginais. Na tentativa de acelerar o processo de reforma, a comunidade criou o Movimento de Resgate do Parque Três Meninas.

Cinco moradores de Samambaia negociam e cobram do governo a promessa de melhorias. Em 2007, o governador JOSÉ ROBERTO ARRUDA esteve no parque e autorizou a liberação de R$ 467 mil para as obras. Na ocasião, Arruda plantou uma árvore como símbolo do novo compromisso com a comunidade. O dinheiro seria investido na construção de guaritas, banheiros, quadras poliesportivas e sinalização. Mas o que se vê é apenas o mato alto tomando conta de parte importante da história de Samambaia. Uma biblioteca comunitária estava à disposição, com a sala de leitura em um casarão colonial, sede da antiga fazenda. Em 2005, porém, o lugar pegou fogo e nunca mais foi renovado.

O Parque Três Meninas pode ser subdividido em três regiões: uma área de preservação ambiental, outra de uso orientado para atividades culturais e educativas e uma de lazer e serviços abertos à comunidade. Nos anos 90, funcionavam ali um centro de saúde, a primeira escola de meio ambiente local, programas de acupuntura, homeopatia, horta comunitária, centro cultural, creche e o teatro Galpão do Riso. "A administração pediu o espaço teatral de volta. Depois disso, a devastação tomou conta. Antes, montávamos peças sobre educação ambiental", lamenta o ator Miguel Mariano, 36 anos, membro do Conselho de Cultura de Samambaia.

Natureza

A principal queixa é o subaproveitamento da área. O Três Meninas possui várias nascentes, grutas, cachoeiras, um sítio arqueológico e vasta área de cerrado. Conta com relevo característico de borda de chapada que poderia proporcionar belos visuais em um mirante. Mas a vista está tomada pelo matagal. "Temos projetos de trazer a comunidade para dentro do Três Meninas para acelerar o processo de revitalização. Samambaia não tem nenhum centro cultural, apesar de uma população de mais de 160 mil habitantes", reclama Sérgio Monroe, 46 anos, líder comunitário. Um dos coordenadores do movimento, Eduilson Barros, 41 anos, relembra os bons tempos do parque. "As pessoas têm saudade da época em que podiam desfrutar do verde", lamenta.

De acordo com o Instituto Brasília Ambiental (Ibram), o projeto para recuperação do parque vai custar quase R$ 1 milhão. Segundo o administrador do parque, José Fernando Rodrigues, a reforma deve começar em janeiro. "Cortamos o mato de 15 em 15 dias, mas ele cresce rápido demais. Porém, aqui no parque falta de tudo. Tenho de resolver os problemas no meu próprio carro e pago a gasolina do meu bolso", relata Rodrigues, que gerencia outros cinco parques além do Três Meninas. "O trabalho é pesado e um administrador só para todos esses locais não é o ideal. Mas é o melhor que podemos fazer atualmente", explica.

Sobre a conservação das casas coloniais, o administrador atribui a demora em reformá-las à necessidade de licitação. "Não podemos nem pintar as paredes sem abrir concorrência", diz. "Mas esses espaços serão restaurados. Vamos montar o primeiro museu arqueológico do DF onde funcionava a biblioteca. E a Escola Técnica do DF deve funcionar dentro do parque por dois ou três anos, até a sede definitiva ficar pronta", finaliza.

No passado, uma fazenda

Antes da construção do parque, uma família era dona da concessão de uso do terreno. O proprietário tinha três filhas e batizou a fazenda de Três Meninas em homenagem a elas. Cada uma possuía uma pequena casa dentro do lote. Hoje, esses espaços estão tomados por entulhos onde se encontram até restos de drogas deixados para trás por usuários do local.



http://www.casteloforte.com.br/sociedade20.php

Relatório do I Seminário SOS Ambiental


Relatores: Élton Skartazini e Luiz Alberto Pimentel Martins
Revisado na reunião dos Amigos dos Parques Ecológicos do dia 08/04/08.


Abertura do Seminário

O Movimento Amigos dos Parques Ecológicos – MAPE realizou no dia 05/04/08, sábado, seu primeiro seminário ambiental no Parque Três Meninas, Samambaia/DF, a fim de informar e envolver agentes ambientais em ações de revitalização e preservação da Área de Relevante Interesse Ecológico Juscelino Kubitschek – Árie JK, localizada entre Samambaia, Taguatinga e Ceilândia.

O evento teve as seguintes parcerias:
- Instituto Brasília Ambiental abriu espaço;
- Administração Regional de Samambaia custeou som fornecido pela THN Som e Luz;


- Centro de Criatividade Infanto-juvenil – CCI forneceu impressos e data show;
- Castelo Forte Materiais para Construção forneceu alimentos.
- Apoiadores: Centro de Referência e Assistência Social – CRAS; Cooperativa de Feirantes do Gama – COOPERFEIG; Escolas Classes 407 e 411 de Samambaia.

A mesa de abertura foi composta por: Israel Vieira, representante do MAPE; José Fernando, diretor da Árie JK; Pedro Poeta, representante da Administração Regional de Samambaia. Após o hino nacional teve início painel com três palestras e debate sobre a história, geografia e gestão da Árie JK.

Primeira palestra
O arquiteto José Alis, funcionário da RA XII, falou da importância histórica do Parque Três Meninas na criação de Samambaia. Formado por Inezil Pena Marinho e família no final dos anos 50, o local recebia ilustres visitantes da nova



Sede em ruinas

capital, o que já demonstrava seu potencial turístico. Em 1993 a chácara se tornou parque público, destinado às atividades culturais e formação ambiental da comunidade. O palestrante resgatou a história da própria cidade e sua relação orgânica com o meio ambiente. Explanou sobre o Plano de Desenvolvimento e Ordenamento Territorial – PDOT, Plano de Desenvolvimento Local – PDL, taxas de edificação de modo a resguardar a permeabilidade do terreno, bem como áreas verdes. Informou que Samambaia tem hoje 24 km² de área urbana e 81 km² de área rural. Comentou sobre a implantação do aterro sanitário previsto para esta região administrativa.

Segunda palestra
O professor Gilberto Paulino, membro da ONG Mão na Terra, disse que Samambaia é uma cidade planejada e que a comunidade também é responsável na preservação dos recursos naturais, daí porque a importância do seminário SOS Ambiental. Explicou que uma Árie pressupõe a inexistência de moradores no local, o que não corresponde com a realidade da Árie JK, devido ao excesso populacional do Distrito Federal. Mencionou o sítio arqueológico existente nessa área. Convocou os presentes a interferirem no PDOT/PDL a fim de minimizar a pressão imobiliária sobre a Árie JK. Falou da necessidade de definir os limites da área, conscientizar a população desses limites e destinar recursos para sua revitalização e preservação.

Terceira palestra
Sidney Rosa, diretor dos parques da Árie JK, se referiu à carência de recursos materiais e pessoal para revitalizar e proteger todos os parques do Distrito Federal. Explanou sobre a poligonal e o plano de manejo em elaboração para a Árie JK, que contém os parques: Três Meninas, Saburo Onoyama, Boca da mata, Cortado e Gatumé. Explicou que o Parque Cortado é de uso múltiplo, inclusive para o laser, diferente do Boca da Mata, que é estratégico para a preservação do lençol freático e que por isso não deve ser implantado ali um parque de vaquejada, conforme previsto no PDOT. Foi enfático ao afirmar que este parque deve ser cercado e vigiado 24 horas por dia. Questionou a implantação do aterro sanitário nas imediações do Parque Gatumé. Propõe que o Gatumé seja incluído integralmente na Árie JK, diferente do que é hoje.

Questões debatidas


Arruda no Parque Três Meninas

- A importância de dar condições de uso dos parques à comunidade, para preservá-los;
- O uso indevido das áreas verdes no ambiente urbano, onde se deixa de cultivar vegetais para avançar grades, até mesmo devido ao tamanho reduzido dos lotes;
- Busca de orientação sobre que vegetal cultivar nas áreas verdes (adote uma árvore);
- A lei dos parques no Distrito Federal demorou seis anos para ser elaborada. Antes de 1998 a situação dos parques era ainda pior;
- Questionou-se a implantação do setor habitacional Noroeste e Catetinho;
- Defendeu-se a publicação urgente do comitê de gestão dos parques de Samambaia no Diário Oficial/DF, que o autorize a interagir de modo mais eficiente com o poder público. Que o comitê gestor mantenha a comunidade informada/mobilizada;
- Deve-se prosseguir na discussão do PDL/PDOT, encaminhar denúncias de crime ambiental ao Ministério Público, etc.;
- Unir-se ao movimento dos excluídos, rever modelo econômico e de desenvolvimento;
- Que o próximo seminário dos amigos dos parques conte com a presença de um número maior de agentes multiplicadores;
- Cadê os R$ 497 mil que o governador Arruda destinou à recuperação do Parque três Meninas? É urgente implantar estrutura mínima para abrir o parque à visitação de escolas e comunidade. Sidney, diretor dos parques da Árie JK respondeu que o recurso só será aplicado nos próximos três meses, porque os projetos passam por várias análises antes de serem realizados;
- A sociedade participa do PDL/PDOT em ocasiões como este seminário SOS Ambiental. O PDL é uma lei orgânica que se renova constantemente de acordo com os anseios da sociedade. O palestrante José Alis exemplificou que a comunidade pode impedir a implantação da vaquejada nas imediações do Parque Boca da Mata;
- A implantação de aterro sanitário foi pouco discutida com a comunidade. A área rural está desaparecendo. A formação de condomínios é uma realidade. Talvez a solução seja cercar toda a Árie JK;
- O palestrante Gilberto Paulino argumentou que, ao invés de cercar é melhor definir os limites e conscientizar a população, principal interessada na defesa ambiental;
- Zelar para que os ambientes de preservação estejam abertos à visitação apenas das 07h às 17h, em respeito à flora e à fauna.

Arte e cultura

Após o debate foi a hora do almoço preparado ali mesmo no Parque Três meninas, para não dispersar os participantes



Símbolo de Samambaia

. No ambiente do seminário permaneceram expostos trabalhos da Cooperativa de Artesãos de Samambaia – COOPERSAM e produtos (sabão liquido e sólido de óleo reciclado) do Instituto Crescendo com Ação - ICA.

O grupo DF 130 – 2 deu show de rock/pop, com letras temáticas sobre ecologia, juventude, liberdade... O grupo teatral Cia. Comédia das Artes, dirigido por Verônica Moreno, apresentou a peça ‘Louca por uma manchete’. O grupo Mirva (hip-hop), demonstrou como a arte de rua é útil na formação de crianças e adolescentes.

Proposições

À tarde os participantes do seminário se dividiram em três grupos para elencar propostas a serem encaminhadas às instâncias governamentais, a possíveis parceiros e à comunidade em geral. Cada grupo enfocou um dos temas a seguir:

Arte, cultura e meio ambiente:
- Levar teatro às escolas que proporcione lazer e ensine a respeitar o meio ambiente;
- Abrir os parques para atividades teatrais temáticas, para alunos e comunidade;
- Realizar oficinas para professores/multiplicadores que resgatem o folclore, brincadeiras de roda e outros elementos da cultura popular;
- Envolver a comunidade em ações de reconhecimento e valorização dos parques, tais como gincanas, mutirões de limpeza, oficinas de reciclagem, artes plásticas, literatura;
- Envolver grupos da ‘melhor idade’ para que passem conhecimento e exemplos de vida aos mais jovens;
- Proporcionar oportunidades culturais a alunos destaque das escolas de Samambaia;
- Ensinar a comunidade como cuidar dos parques;
- Transformar a piscina desativada do Parque Três Meninas num teatro de arena.

Ecologia e educação ambiental:


Apresentação teatral

- Instalar no Parque Três Meninas um pólo permanente de educação e pesquisa ambiental (Centro de Referência Local) como gerenciador da educação integral/agenda 21 – REA/DF. Este Centro de Referência deve estabelecer a ponte entre os parques de Samambaia e as escolas da rede pública de ensino, sobretudo com a implantação da Educação de Tempo Integral, por parte da Secretaria de Educação;
- A implantação imediata da Tenda Cultural no Parque Três Meninas, projeto desenvolvido pela Secretaria de Cultura/DF;
- Catalogar flora e fauna da Árie JK;
- Criar trilhas ecológicas bem definidas e protegidas pela Árie JK, com guias, a fim de viabilizar e incentivar caminhadas educativas;
- Instalar lixeiras de coleta seletiva nas áreas de uso público;
- Sinalizar as trilhas e implantar ao longo delas placas educativas que incentivem atitudes ambientais;
- Ocupação dos espaços já construídos dentro dos parques ecológicos de uso múltiplo;
- Plantio de hortas rústicas, canteiros de ervas medicinais, ornamentais e sistemas de agro-florestas, manutenção e manejo das árvores;
- Construção de banheiros secos/compostáveis ao longo das trilhas;
- Plano de manejo da água da chuva;
- Apoiar e requisitar o trabalho do Coletivo ‘Jovem Pelo Meio Ambiente’;
- Coletar sementes nos parques e chácaras vizinhas, para reflorestar a Árie JK e espaços urbanos.

Cooperativismo e gestão ambiental:



Souto Maior, presidente do Ibram

- Acompanhar o PDOT e rever o PDL para defender espaços de preservação ambiental;
- Acompanhar a aplicação orçamentária destinada aos parques ecológicos;
- Acelerar a conclusão do plano de manejo da Árie JK e de cada parque em específico;
- Promover a recuperação dos prédios históricos do parque Três Meninas;
- Promover ações contrárias ao avanço imobiliário nas áreas de preservação ambiental;
- Requerer equipes de funcionários para os parques;
- Analisar a projeto de implantação do aterro sanitário junto ao parque Gatumé;
- Criar o CONDEMA Samambaia;
- Pedir revisão da lei que prevê a criação da vaquejada no Parque Boca da mata;
- Reunir com Gustavo Souto maior e demais autoridades ambientais;
- Promover a nomeação do comitê gestor dos parques de Samambaia;
- Solicitar a inclusão integral do parque Gatumé à Árie JK;
- Promover o eco-turismo na Árie JK;
- Interferir para que as vias de ligação que atravessam a Árie JK não interrompam os corredores ecológicos (viadutos amplos) e que sejam cercadas de alambrado para evitar o acesso dos animais à pista;
- Propor a criação de ciclovias nas margens da Árie JK e entre as cidades vizinhas, e que os viadutos contemplem essas ciclovias;
- Transformar a nascente e as margens do córrego Samambaia em Área de Proteção Ambiental;
- Aliar-se à rede sócio econômica solidária para gerar à população renda sustentável.

Participantes

Participaram do seminário SOS ambiental 80 agentes ambientais, educadores, líderes comunitários, comunicadores, assistentes sociais, artistas... representantes das entidades: ONG Ekip Naturama, Associação dos Carroceiros, Instituto Crescendo com Ação, Coopersam, CACS, Grupo da Melhor Idade, Associação dos Deficientes Físicos, ONG Mão na Terra, Diretoria Regional de Ensino, Administração Regional de Samambaia e Instituto Brasília Ambiental.

Ficou estabelecido que o Movimento Amigos dos Parques Ecológicos – MAPE passa a agir baseado neste relatório, o qual deve ser amplamente divulgado. Ficou proposto a realização do II Seminário SOS Ambiental em abril de 2009.

Contatos:
9611.7763 (Israel Vieira - coordenador);
3459.2806 e 9175.9401 (Sirlene - secretária);
9908.4963 (Skartazini – assessor comunicação).